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O Reino que restaura nova visão

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Escrito por Mariana Aranha Viana Guzzoni, estudante do Programa de Tutoria Essencial 2022


O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas o pecado desfigurou essa imagem e fez com que se afastasse cada vez mais do seu Criador. Nesse mundo caído, os homens passaram a construir reinos, engendrando neles sua visão de mundo deturpada e desnorteada. Transformam as experiências que têm ao longo de suas vidas em narrativas no intuito de atribuir sentido à vida e é de acordo com suas histórias ou narrativas que passam a enxergar e interpretar a vida. 

Todos somos moldados por narrativas que conformam o nosso coração e a determinam o nosso modo de pensar e o nosso comportamento. É o que James W. Sire define como cosmovisão ou visão de mundo:

Um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressupostos (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras, ou falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a construção básica da realidade, e que providencia a fundação na qual nós vivemos e movemos e tem a nossa existência. (SIRE, 2010, p. 179)

As narrativas manchadas pelo pecado passaram a orientar – e desorientar – as pessoas. Assim, dentre as muitas narrativas presentes em nossas vidas, e que exercem papel formador em nós, estão as narrativas familiares, as narrativas culturais e as narrativas religiosas, como bem elucida James Bryan Smith:

Há vários tipos de narrativas. As narrativas familiares são as histórias que aprendemos de nossa família imediata. Nossos pais nos transmitem sua visão de mundo e seu sistema ético por meio de histórias. Questões-chave como “Quem sou?”, “Por que estou aqui?”, “Tenho valor como pessoa?” são respondidas logo cedo na forma de narrativa. Há as narrativas culturais que aprendemos ao crescer em uma região particular do mundo. De nossa cultura, aprendemos valores (o que é importante, o que significa sucesso) na forma de histórias e imagens. Os norte-americanos, por exemplo, aprenderam o valor do individualismo absoluto por meio das histórias do passado. Existem as narrativas religiosas – histórias proferidas no púlpito e na escola dominical e registradas nos livros religiosos, que nos ajudam a entender quem é Deus, o que ele quer de nós e como devemos viver. Finalmente, há as narrativas de Jesus, as histórias e imagens que Jesus nos contou para revelar o caráter de Deus. (SMITH, 2010, p. 29)

O pecado deformou tais narrativas familiares, culturais e religiosas e, como consequência, deformou o compromisso fundamental do coração das pessoas, sob a ilusão de que poderiam viver sem Deus, servindo a outros deuses ou sendo seus próprios deuses. 

Tendo a visão de mundo maculada pelo pecado, as pessoas passaram a edificar as suas vidas – ou os seus reinos – sob a areia ilusória das cosmovisões que a sociedade foi criando: paganismo, naturalismo, existencialismo, consumismo, humanismo, hedonismo, utilitarismo, deísmo, niilismo etc. Desse modo, os mandatos social, cultural e espiritual dados por Deus ao homem foram desvirtuados e, como resultado, casamento, sexualidade, alimentação, consumo, Estado, economia, artes e tantas outras coisas foram distorcidas pelas orientações desordenadas do coração.

Essas cosmovisões afetam o nosso corpo, a nossa mente e o nosso coração, com todas as suas afeições e vontades, de maneira que não conseguimos crescer e desenvolver nossa mentalidade, personalidade e comportamentos na neutralidade. 

Contudo, em meio ao caos dos reinos humanos, com suas cosmovisões desordenadas, Deus não ficou alheio ao homem. Antes, Ele se pôs em missão de resgate, para salvar, curar e redimir a humanidade, tornando disponível o Seu Reino, e ensinando as narrativas verdadeiras para termos o coração reordenado, com uma visão de mundo transformada, e, assim, edifiquemos nossas vidas no fundamento seguro de Sua vontade e de Seus princípios.

Quando conhecemos a Deus na forma como Ele quis se revelar, conhecemos também quem somos e podemos pensar, agir e viver de acordo com o Seu padrão. Nesse diapasão, o apóstolo Paulo, no texto de II Coríntios 10:4, ensina sobre as armas poderosas em Deus que devem ser usadas pelos cristãos: o ensino da Palavra e a pregação do evangelho, que destroem fortalezas de narrativas falsas, raciocínios errados, sofismas e tudo o mais que atua para induzir as pessoas ao engano e ao erro. 

Somente o evangelho nos liberta, cura e restaura para podermos viver a vida para a qual fomos criados, enxergando e cumprindo os propósitos redentores em todas as áreas, tais como a sexualidade, casamento, identidade, Estado, economia, artes etc., como bem elucida Nancy Pearcey:

Quando Deus nos redime, Ele nos liberta da culpa e do poder do pecado, e restaura nossa plena humanidade, de forma que possamos cumprir as tarefas para as quais fomos criados. Por causa da redenção de Cristo na cruz, nosso trabalho assume um novo aspecto, pois torna-se um meio de participar dos seus propósitos redentores. Ao cultivarmos a criação, recuperamos nosso propósito original e trazemos uma força redentora para anular o mal e a corrupção que entraram pela queda. Oferecemos nossos dons a Deus para tomarmos parte em fazer com que seu Reino venha e sua vontade seja feita. Com coração e mente renovados, nosso trabalho pode ser inspirado pelo amor a Deus e deleite em seu serviço. (PEARCEY, 2006, p. 53)

De acordo com Dallas Willard, “graça é Deus agindo em nossa vida para realizar o que não conseguimos por nós mesmos. Em que sentido ele está agindo em sua vida? Pelo Reino de Deus. É o reinado de Deus em sua vida” (WILLARD, 2016, p. 113). Goheen e Bartholomew enfatizam que “Jesus anunciou a vinda de um reino, mas o que realmente surge na história é a igreja” (GOHEEN, BARTHOLOMEW, 2016, p. 99).

Portanto, Deus continua trabalhando em Sua missão de resgate e envolveu os Seus discípulos nessa missão, não cogitando tirá-los do mundo, tampouco os incentivando a viverem como ascetas, recolhidos em lugares solitários. Ao contrário, por receberem uma nova vida em Cristo, e por estarem sendo transformados e tendo as narrativas familiares, religiosas e culturais redimidas e moldadas pelas narrativas verdadeiras de Deus, os discípulos receberam a ordem de irem por todo o mundo, não como se fossem do mundo, mas como sal e luz para o mundo. 

A nova vida em Cristo já começou, e mesmo em meio aos reinos terrenos com suas cosmovisões falhas e confusas, podemos viver o Reino de Deus, com o Seu senhorio e governo em nosso coração. 


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Bibliografia

BARTHOLOMEW, Craig G., GOHEEN, Michael W. Introdução à cosmovisão cristã: vivendo na intersecção entre a visão bíblica e a contemporânea. Trad. Marcio Loreiro Redondo. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2016, 272 p.

PEARCEY, Nancy. Verdade absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, 526 p.

SIRE, James W. Dando nome ao elefante: cosmovisão como um conceito. Trad. Paulo Zacharias e Marcelo Herberts. 1ª ed. Brasília: Editora Monergismo, 2012, 246 p.

SMITH, James Bryan. O maravilhoso e bom Deus: apaixonando-se pelo Deus que Jesus conhece. Trad. Andrea Filatro. 1ª ed. São Paulo: Editora Vida, 2010, 276 p.

WILLARD, Dallas. Vivendo na presença de Cristo: palavras decisivas sobre o céu e o Reino de Deus. Trad. Jurandy Bravo. 1ª ed. São Paulo: Editora Vida, 2016, 166 p.