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Jonathan Edwards e sua importância para os cientistas cristãos

Artigo de opinião escrito por Pedro Figueiredo Sepulveda, estudante do Pocket Filosófico 2024


Ao adentrar o mundo científico ou ao assistir a um filme de ficção científica, observa-se um universo completamente novo e complexo. Percebemos desde mecanismos bioquímicos agindo para que a vida celular aconteça até buracos negros tão massivos que distorcem o espaço-tempo de tudo o que se aproxima deles. No entanto, seja em aulas sobre o funcionamento de uma célula, seja em vídeos no YouTube sobre explosões de estrelas, raramente se comentam sobre o Criador ou o Designer de tudo isso.  

No mundo de hoje, observa-se um muro entre ciência e fé, onde cientistas se afastam da espiritualidade e os que têm fé, muitas vezes, não reconhecem Deus na ciência. Surge, então, a pergunta: por que isso acontece? Devemos aceitar que igrejas evangélicas desestimulem cada vez mais os jovens a ingressarem nas universidades, na tentativa de preservar sua fé? Ou será que podemos aprender a incentivá-los a enxergar a beleza do Criador por meio da ciência? 

Para nos conduzir de volta à contemplação da beleza do Criador na ciência, devemos nos inspirar em cristãos que, ao se depararem com o mundo científico, se aproximaram ainda mais do Senhor. Um exemplo marcante é o teólogo e filósofo cristão Jonathan Edwards. Nascido em 1703 e falecido em 1758, Edwards foi um dos principais pensadores da Nova Inglaterra, fortemente influenciado pelo pensamento puritano e pelas descobertas de Isaac Newton (SWEENEY; STIEVERMANN, 2021).  

Edwards viveu em uma época de intensas descobertas científicas e ascensão das ideias iluministas, que começavam a moldar o pensamento em direção a uma visão mais ateísta e naturalista do mundo e da vida. No entanto, indo na contramão dos pensadores de sua época, Edwards via na ciência e em suas descobertas um motor para a busca de uma alternativa filosófica e teológica significativa à explicação mecanicista da essência da realidade. Essa alternativa reconstituía a glória da soberania, do poder e da vontade absolutos de Deus na criação (SWEENEY; STIEVERMANN, 2021).  

Na sua filosofia natural, Edwards afirma que o mundo foi criado por Deus para ser o reflexo de Sua glória. A própria definição de beleza e harmonia seria comunicada ao homem por meio da natureza, como forma de evidenciar a existência de um Criador e demonstrar que todas as coisas devem ter como finalidade o desenvolvimento da fé e o estabelecimento do evangelho. Sem esse propósito, a natureza, a ciência e leis como a gravidade seriam desprovidas de significado, reduzindo-se a meras vaidades (EDWARDS; PISETTA; DE CAMPOS JÚNIOR, 2019)

Assim, Edwards declarava ao mundo de sua época que as Sagradas Escrituras são o verdadeiro intérprete da natureza e que somente Deus confere luz e significado à nossa realidade. Deus é a luz que dá brilho à ciência e às suas descobertas. Quando nos deparamos com o desejo de explorar e compreender este mundo, percebemos que as descobertas não são um fim em si mesmas, mas, sim, sinalizadores que apontam para algo ainda mais belo: o próprio Deus. É Ele quem inspira a incessante busca da humanidade pelo conhecimento e deve ser o alvo final de toda nossa vida.

Portanto, Edwards, em um ato de ousadia, contradisse a corrente filosófica e o raciocínio científico modernos ao afirmar que a natureza e a ciência são apenas servas do Senhor. De igual modo, essa deve ser a nossa conduta. Devemos nos lembrar que tudo existe para a glória de Deus, inclusive os nossos estudos científicos. Se Deus criou dois livros — o da natureza e as Escrituras —, jamais um contradirá o outro. Busquemos nos reencantar com o propósito e a beleza de Deus na criação do mundo e sejamos ousados para romper as barreiras que separam a fé da ciência. Afinal, a própria Palavra afirma: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” (Salmos 19:1). 


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Referências Bibliográficas

EDWARDS, J; PISETTA, A; DE CAMPOS JÚNIOR, H C. O fim para o qual Deus criou o mundo. [S.l.]: Editora Mundo Cristão, 2019. 

SWEENEY, Douglas A; STIEVERMANN, Jan (Org.). The Oxford Handbook of Jonathan Edwards. [S.l.]: Oxford University Press, 2021.