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A fé cristã na era da cultura tecnológica

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Não é que a fé se opõe ao pensamento, mas, isto sim, a fé que direciona o pensamento. O homem é religioso por natureza, e os compromissos últimos do seu coração determinam o seu viver e estar no mundo. Este é um dos pressupostos que orientam as contribuições de Egbert Schuurman em Fé, ciência e tecnologia: ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica. O avanço da tecnologia deu luz ao “dilema das redes”, e com ele um forma perene de idolatria: o tecnicismo.

A trajetória acadêmica de Schuurman a princípio parece um tanto surpreendente, passando tanto pelas ciências exatas como também pelas ciências humanas. Formado em engenharia civil (Universidade Técnica de Delft, Holanda) e filosofia (Universidade Livre de Amsterdã, Holanda), Schuurman escreve sobre o desafio da fé cristã na era da cultura tecnológica, a partir da convicção de que “a relação entre a fé e a ciência  é muitas vezes abordada de forma demasiado abstrata – e isolada  de nossa cultura”, da mesma forma que “discute-se muitas vezes a cultura isolando-a das outras duas. Não seria mais adequado enxergar a relação entre a fé e a ciência primeiramente à luz dos motivos ou forças que estimulam o desenvolvimento da cultura?” (2016, p. 13).

Para o professor de filosofia reformacional da Universidade Tecnológica de Eindhoven, o tecnicismo é um dos grandes males do nosso tempo. Por um lado, inúmeros foram os benefícios que a ciência proporcionou à humanidade, entre eles o desenvolvimento da tecnologia. Por outro lado, isso se deu em meio a uma visão de mundo secular que ocasionou o fenômeno religioso do tecnicismo, que “pode ser entendido como o depósito da fé e da esperança na tecnologia, buscando repousar sobre ela o olhar do coração. Como tal, o tecnicismo envolve a inclinação dos afetos para a técnica, entregando-lhe lágrimas de súplicas e exclamações de louvor. Portanto, trata-se de uma atitude religiosa para com a tecnologia”¹.

Schuurman propõe uma abordagem cristã-filosófica da ciência e o uso saudável da tecnologia, para o bem comum e uma ética “que favoreça o florescimento cultural responsável intencionado por Deus para sua criação”². O homem foi colocado no jardim para o cultivar e guardar. É essa a perspectiva que deve predominar frente a qualquer concepção idólatra da cultura e das coisas boas que, por intermédio de Sua graça, Deus tem proporcionado ao homem.

[…] acredito que, para que qualquer reorientação seja possível, é necessário haver uma mudança em nossa visão sobre a cultura. A perspectiva dominante técnico-científica deve dar lugar a uma perspectiva da Terra como um jardim a ser trabalhado ou cultivado para que possa florescer” (2016, p. 14).


¹ O pensamento de Egbert Schuurman sobre a cultura tecnológica. Associação Brasileira Cristãos na Ciência, 2018. Disponível em: <https://www.cristaosnaciencia.org.br/o-pensamento-de-egbert-schuurman-sobre-a-cultura-tecnologica/>. Acesso em 14 de dezembro de 2020.

² Ibid.


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REFERÊNCIAS

SCHUURMAN, Egbert. Fé, esperança e tecnologia: ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica. Trad. Thaís Semionato. Viçosa, MG: Ultimato, 2016.