A pregação autêntica

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Prega a palavra, insista a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino.

2 Tm 4:2

A obra da pregação é a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser chamado.

Martyn Lloyd-Jones

No ano de 1969, durante seis semanas, o grande pregador Martyn Lloyd-Jones (1899-1981), se dirigindo aos estudantes do Seminário Teológico de Westminster, proferiu uma série de palestras sobre o tema da pregação. Compiladas anos mais tarde, elas deram origem ao clássico Pregação e pregadores. Uma das marcas de seu ministério foi sempre ter “a maior de todas as incumbências” como alvo de especial atenção. Para Lloyd-Jones, a pregação era “a mais elevada, a maior e mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser chamado” (2008, p. 15). Foram mais de quarenta anos no ministério da Palavra, que fizeram dele um dos maiores pregadores que a igreja cristã já teve.

Aquilo que Lloyd-Jones disse à sua audiência se aplica aos nossos dias: “a maior e mais urgente necessidade da igreja cristã, na atualidade, é a pregação autêntica. E, visto que esta é a maior e mais urgente necessidade da igreja, evidentemente é também a maior necessidade do mundo” (2008, p. 15). Uma igreja espiritualmente saudável, para usar aqui a metáfora de Colin Marshall e Tony Payne, é aquela em que a treliça e a videira¹ caminham em perfeita harmonia com a pregação bíblica. Não há discipulado cristão que seja desprovido da pregação da Palavra.

Bryan Chapell, em Pregação cristocêntrica, concorda com Lloyd-Jones ao reconhecer que “em face das dúvidas relativas à eficiência pessoal numa época em que se questiona a validade da pregação precisamos de uma lembrança do desígnio de Deus para a transformação espiritual do ser humano. No final das contas, a pregação cumpre seus objetivos espirituais não por causa das habilidades do pregador, mas por causa do poder da Escritura proclamada” (2016, p. 18). Isso faz da pregação uma tarefa imprescindível da igreja motivo que levou Lloyd-Jones a questionar seus alunos:

Qual é a causa da reação atual contra a pregação? Por que motivo a pregação caiu da posição que ocupava anteriormente na vida da igreja e na estima do povo? Não podemos ler a história da igreja, mesmo de forma superficial, sem perceber que a pregação sempre ocupou posição central e predominante na vida da igreja, particularmente no protestantismo. Então, por que esse declínio do lugar e do poder da pregação? Por que se põe em dúvida a necessidade de qualquer pregação? (2008, p. 16).

Lloyd-Jones dizia que um dos motivos para este cenário era a “perda de confiança na autoridade das Escrituras e uma diminuição na crença da verdade” (2008, p. 18). Chesterton estava certo quando disse que chegaria o tempo em que seria preciso provar que a grama é verde. Hoje há mestres que negam a existência da sã doutrina e mesmo assim são vistos como ortodoxos. E ainda são justificados não pelo que disseram com clareza, mas por aquilo que supostamente queriam dizer. O que Lloyd-Jones disse aos seus alunos naquela época não parece estar muito distante dos nossos dias: a maior e mais urgente necessidade da igreja cristã, na atualidade, é a pregação autêntica, que preze pela importância das Escrituras e o compromisso com a verdade.

¹ MARSHALL, Colin; PAYNE, Tony. A treliça e a videira: a mentalidade do discipulado que muda tudo. Trad.  Francisco Wellington Ferreira. São José dos Campos, SP: Fiel, 2019.


REFERÊNCIAS

CHAPELL, Bryan. Pregação cristocêntrica: um guia prático e teológico para a pregação expositiva. Trad. Oadi Salum. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.

LLOYD-JONES, Martyn. Pregação e pregadores. Trad. João Bentes Marques. São José dos Campos, SP: Fiel, 2008.

2 comments

  1. Luis Barbosa

    Toda preparação e zelo são poucos diante do encargo de transmitir a mensagem do Grande Rei. Por mais diligente e preparado que seja o arauto da mensagem, ela continua pesando sobre seu ser a ponto de fazer toda sua estrutura tremer. Na boca é doce como mel, até descer e se tornar amarga como fel.

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