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Entrando na conversa: a teologia e a vocação pastoral

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Teologia é sobre a vida. E não é uma conversa que a nossa alma pode evitar.

Kelly Kapic

À medida que conhecemos a Deus, conhecemos mais a nós mesmos. Tanto Agostinho (353-430), em suas Confissões, como João Calvino (1509-1564), nas Institutas, compreenderam que ambos os conhecimentos estão, de certo modo, entrelaçados. São como uma bússola à vida humana. Ou, como disse Kelly Kapic, “nossos conceitos quanto ao divino informam nossas vidas de maneira mais profunda do que a maioria das pessoas consegue traçar” (2014, p. 16). É o ele demonstra em Pequeno livro para novos teólogos, que, assim como Recomendações aos jovens teólogos e pastores, de Helmut Thielicke (1908-1986), tem tudo para se tornar um clássico na literatura teológica.

Kapic escreveu motivado pelas importantes contribuições de Thielicke, porém com uma preocupação particular: as dicotomias daquilo que descreveu como o fenômeno do desligamento teológico. Trata-se da separação entre piedade e erudição, academia e igreja, verdade e amor, teologia e vida. A má compreensão do significado da teologia e sua importância na vida cristã tem comprometido o entendimento de membros e até mesmo pastores quanto ao lugar dessa disciplina na vida da igreja. Albert Mohler Jr., num capítulo de Deus não está em silêncio, aponta o desaparecimento da figura do pastor como teólogo na igreja contemporânea:

“Um dos mais notáveis desenvolvimentos dos últimos séculos foi a transformação da teologia em disciplina acadêmica, mais associada com a universidade do que com a igreja. Nos primeiros séculos da igreja e, de fato, nos anais da história cristã, os principais teólogos da igreja eram seus pastores. Atanásio, Irineu e Agostinho eram pastores de igrejas, embora sejam respeitados como alguns dos primeiros grandes teólogos do cristianismo. De modo semelhante, os grandes teólogos da Reforma eram, na maioria, pastores, como João Calvino e Martinho Lutero. É claro que suas responsabilidades atingiam frequentemente um alcance maior do que as de um pastor. Esses desenvolvimentos causaram um grande dano à igreja, separando o ministério da teologia, a pregação da doutrina e o cuidado cristão da convicção. Em inúmeros casos, o ministério do pastor tem sido esvaziado de conteúdo doutrinário sério, e muitos pastores parecem ter pouca conexão com qualquer senso de vocação teológica. Tudo isso tem de ser revertido, se a igreja quer se manter fiel à Palavra de Deus e ao evangelho. A menos que o pastor sirva como teólogo, a teologia é deixada nas mãos daqueles que, em muitos casos, têm pouca ou nenhuma conexão ou compromisso com a igreja local” (2011, p. 115, 116).

A teologia, diz, Kapic, “não está reservada aos que estão na academia: é um aspecto do pensamento e da conversa de todos quanto vivem e respiram, lutam e temem, esperam e oram” (2014, p. 16). Foi nesse sentido que Martinho Lutero (1483-1546) disse certa vez, num sermão de Salmos, que somos todos teólogos. Os pastores, sendo responsáveis por cuidar do rebanho de Cristo, devem ser os primeiros a reconhecer a importância da reflexão teológica e o acerto doutrinário, pois “o conhecimento na teologia não é apenas cognitivo, mas também pessoal, tendo elementos de conexão e compromisso” (2014, p. 25). Como bem colocou Kevin Vanhoozer, mentes teológicas pertencem a corpos eclesiásticos.

REFERÊNCIAS

KAPIC, Kelly. Pequeno livro para novos teólogos. Trad. Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2014.

MOHLER Jr., Albert. Deus não está em silêncio: pregando em um mundo pós-moderno. Trad. Wellington Ferreira. São José dos Campos, SP: Fiel, 2011.

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