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Nutrição e saúde: uma reflexão teológica

Artigo escrito por Anecy Calland, estudante do Programa de Tutoria Essencial 2024


O conceito de saúde tem mudado ao longo dos anos, transcendendo a mera ausência de doenças para abranger um completo bem-estar físico, social e emocional. O compromisso com a busca da saúde integral inclui a adoção de uma alimentação saudável, reconhecida como um dos pilares fundamentais para a qualidade de vida. Priorizar uma dieta equilibrada, que inclua todos os grupos alimentares, fortalece o organismo, aumenta a imunidade e previne doenças.

Neste contexto, a teologia bíblica do alimento oferece uma perspectiva rica e multifacetada sobre o papel dos alimentos em nossa existência. A Bíblia ensina que o alimento é uma provisão de Deus para a humanidade. O salmista destaca a generosidade divina ao fornecer alimentos para sustento e deleite humano: “Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão, o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças” (Salmos 104:14,15).

No entanto, a relação entre o homem e o alimento foi afetada pela Queda. No Éden, o pecado foi introduzido pela desobediência à ordem específica de Deus em relação à árvore do conhecimento do bem e do mal. A ação de comer o fruto proibido simbolizou a rebelião do homem contra a vontade divina, resultando em consequências que afetaram todas as áreas da vida humana. Ao provar do fruto oferecido pelo Diabo, as pessoas se tornaram descontentes com a provisão de Deus. William B. Barcley nos diz: “sem um mínimo de contentamento não pode haver verdadeira santidade. O espírito descontente não descansa no controle soberano de Deus” (BARCLEY, 2014, p. 11).

O descontentamento do homem, evidenciado, por exemplo, na busca por uma perfeição física irreal, muitas vezes leva a distorções na relação com o alimento, pois aquilo que era bênção de Deus passa a ser um ídolo. Em lugar de adorar o Criador, passa-se a endeusar o próprio corpo, esperando que a satisfação estética possa dar o preenchimento que só o Senhor é capaz de proporcionar.  Sobre isso, Maria Cecilia Alfano nos diz: 

Em lugar de nos servirem, porém, os ídolos nos traem e acabam nos escravizando. O ídolo “comida”, por exemplo, pode prometer prazer físico e alívio da tensão. É difícil resistir — “parecia tão gostoso que não pude me controlar!” — ídolos como dieta restritiva, exercícios físicos excessivos, laxantes ou vômitos autoinduzidos podem prometer elogios pela boa forma ou aplacar o remorso por ter se excedido na comida. É difícil resistir a eles, mas suas promessas são enganosas. A paz e o sucesso que oferecem são temporários (ALFANO, 2010, p. 34).

A tentação de Jesus no deserto oferece uma analogia poderosa para as tentações que enfrentamos em relação à comida. Satanás usou o alimento para tentar Jesus, questionando sua identidade e desafiando sua missão divina. No entanto, Jesus resistiu às tentações, citando as Escrituras e reafirmando sua dependência do Pai Celestial:

Ao responder à primeira tentação, nosso Senhor citou Deuteronômio 8.3: “Não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor”. No contexto dessas palavras, Yahweh relembra aos israelitas que, ao alimentá-los de maneira sobrenatural com o maná, ele queria lhes ensinar a lição sobre a habilidade de Deus para suprir o sustento sem os processos naturais. Não há nenhum contraste aqui entre o alimento espiritual suprido pelas palavras de Deus e a comida material suprida de forma física (VOS, 2019, p. 406).

Desse modo, assim como na caminhada para a terra prometida, Deus providenciou milagrosa e diariamente o maná ao povo de Israel. Jesus afirma: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:51). Cristo encarnou para proporcionar vida aos que comerem deste pão, podendo desfrutar não de uma saciedade passageira, mas eterna.

Assim como Jesus, somos chamados a enfrentar as tentações relacionadas ao alimento com base na verdade das Escrituras. Devemos lembrar que não é apenas do pão físico que vivemos, mas de cada palavra que procede da boca de Deus. Ao buscar uma alimentação saudável, devemos fazê-lo com gratidão e moderação, reconhecendo que nosso verdadeiro sustento vem do Senhor.

Em última análise, a teologia bíblica do alimento nos lembra que nossa relação com a comida deve refletir nossa submissão e obediência a Deus. Devemos buscar o equilíbrio e a moderação em nossas escolhas alimentares, reconhecendo o dom da provisão divina e buscando a saúde não apenas do corpo, mas também da alma.


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Referências Bibliográficas

ALFANO, Maria Cecilia. Comer ou não comer!?: Liberdade para fazer escolhas no temor a Deus. 1ª ed. São Paulo, SP: Nutra Publicações, 2010. 60 p.

BARCLEY, William B. O segredo do contentamento. 1ª ed. São Paulo, SP: Nutra Publicações, 2014. 184 p.

BÍBLIA E HINÁRIO NOVO CÂNTICO. Almeida Revista e Atualizada. 2 ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. 239 p.

VOS, Geerhardus. Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Alberto Almeida de Paula. 2ª ed. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2019. 496 p.