O personalismo da teologia

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Para que saibais que Eu Sou o Senhor, que vos santifica.

Êxodo 31:13

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor. Foram essas as palavras dirigidas pelo profeta Oseias ao povo de Israel, e que, para o nosso propósito aqui, expressam muito bem o intento do filósofo cristão John Frame em A doutrina do conhecimento de Deus, um dos volumes da sua prodigiosa série Teologia do Senhorio. Conhecer e prosseguir em conhecer. O nosso relacionamento com Deus é, sobretudo, um conhecer progressivo, uma relação de conhecimento que jamais exaustivo.

Um dos principais filósofos cristãos em atividade, John Frame é professor no Reformed Theological Seminary das disciplinas de Teologia Sistemática e Filosofia. Além de A doutrina do conhecimento de Deus, onde trata da epistemologia cristã, sua série Teologia do Senhorio também possui os volumes A doutrina de Deus, A doutrina da vida cristã e A doutrina da Palavra de Deus, todos publicados no Brasil pela editora Cultura Cristã.

Compreendendo a teologia como “a aplicação da Palavra de Deus por pessoas  a todas as áreas da vida” (2010, p. 93), Frame entende que ela jamais deveria ser encarada como mera disciplina acadêmica ou um conjunto de doutrinas. A teologia é, antes de tudo, pessoal; nas palavras de Frame, ela é a expressão de convicções profundas, de modo a ser “inevitável que em seu trabalho o teólogo compartilhe pessoalmente com seus leitores num nível de alguma intimidade” (2010, p. 334).

Um bom exemplo desse personalismo da teologia pode ser visto na vida e ministério de Charles Spurgeon (1834-1892). Conhecido como o príncipe dos pregadores, e descrito como uma luz que brilhou entre os seus contemporâneos, Spurgeon, embora não fosse um teólogo da academia, mostrou porque Lutero certa vez disse que “somos todos chamados de teólogos, assim como somos todos chamados cristãos” (2014, p. 15). Seu compromisso com o evangelho nunca foi simplesmente cognitivo. Era, antes de tudo, um compromisso do coração:

Ocupamos uma posição muito solene, e o nosso espírito deve ser do velho Micaías, que disse: “Vive o Senhor, que o que o Senhor me disser isso falarei”. Somos chamados a proclamar nem mais nem menos do que a Palavra de Deus. Mas somos obrigados a declarar essa Palavra com um espírito que convença os filhos dos homens de que, pensem o que pensarem dela, cremos em Deus e não ficamos abalados em nossa confiança nEle (2014, p. 61).

Nunca é demais lembrar nestes dias que “a reflexão teológica é uma forma de examinar nosso louvor, orações, palavras e adoração com o alvo de ter certeza que eles se conformam somente a Deus” (2014, p. 19). A boa teologia não fornece apenas um emaranhado de conceitos; ela conduz a uma vida de verdadeira comunhão com Deus. Não basta possuir uma estante cheia de livros. É preciso amar o Autor do Livro.


Referências:

FRAME, John M. A doutrina do conhecimento de Deus. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

KAPIC, Kelly. Pequeno livro para novos teólogos. Trad. Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2014.

SPURGEON, Charles. Lições aos meus alunos, vol. 1: homilética e teologia pastoral. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: PES, 2014.

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