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A glória de Deus como propósito último da apologética

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Escrito por João Paulo Albuquerque Coutinho, estudante do Programa de Tutoria Essencial 2022


Introdução

A apologética é a disciplina do conhecimento teológico que se propõe a defender a doutrina cristã diante das mais diversas teses adversárias. Essa competência não se limita à interação da igreja com o pensamento secular, mas também é uma tarefa que deve ser exercida na própria comunidade. Tal demanda se consolida por conta da circulação de ventos de doutrina que fomentam heresias nos arraiais da família da fé. Dessa forma, a apologética se mostra como uma ferramenta necessária em todos os departamentos da vida do cristão, seja para dentro ou fora de sua comunidade.

Apesar de apresentar um nobre propósito, a apologética muitas vezes tem sido minimizada a um mero discurso natural de persuasão, no qual se busca o convencimento da parte conflitante. Por mais que essa competência seja importante, ela não pode ser considerada o propósito último da tarefa do apologeta. Se assim fosse, todas as vezes em que a contraparte não fosse convencida, a defesa da fé teria fracassado. É necessário, portanto, esclarecer o propósito mais fundamental da apologética, a fim de que a igreja compreenda melhor a sua missão e possa desempenhá-la na direção correta.

Delimitando o propósito da apologética

O teólogo R. C. Sproul (2020) destaca três usos da apologética para a igreja, sendo eles: o fornecimento de respostas, o derrubar de ídolos intelectuais e o encorajamento dos santos. Em outra obra, o mesmo autor destaca ainda que o objetivo da apologética “não é meramente ganhar com argumento […] é ganhar almas” (2007, p. 15).

Essas proposições delimitam bem as convicções e objetivos da apologética, uma vez que demonstram imediatamente a intenção do apologeta na sua atividade. No entanto, é preciso que seja destacado, também, um propósito ainda mais fundamental da tarefa de defesa da fé.

Afinal, qual deve ser o critério para avaliar se a apologética foi exercida adequadamente? Em muitos contextos, o sucesso no convencimento será esse parâmetro. Em outros, a qualidade da apologética será mensurada pela capacidade de calar os argumentos do oponente. No entanto, o padrão bíblico para uma apologética adequada está alicerçado no testemunho cristão e na glorificação do nome de Deus, muito mais do que nas capacidades retóricas do apologeta.

A glória de Deus na apologética

A tarefa da apologética é bem estabelecida no texto de 1 Pedro 3:15-16. Nesse texto, o apóstolo exorta a igreja que se porte de maneira íntegra, com mansidão e temor, diante dos questionamentos daqueles que perguntam acerca da razão da sua esperança. É possível notar que a preocupação do autor não está pautada no sucesso de convencimento, mas no testemunho fiel dos discípulos que constrange até mesmo os pagãos. Conforme destacado por John Frame: “Pedro não insiste que os apologetas sejam inteligentes e conhecedores […]. mas, sim, que vivam de maneira consistentemente piedosa” (2010, p. 29).

Essa percepção remete ao propósito último da vida cristã e, consequentemente, de todos os ramos da disciplina teológica: a glória de Deus. Esse pressuposto constitui a proposição mais básica do evangelho e a verdade pela qual todas as atitudes do cristão devem subsistir. Deus criou todas as coisas para a sua glória e o ser humano deve glorificar seu Criador em todas as atitudes, incluindo a apologética.

Dessa forma, a defesa da fé cristã está diretamente ligada à honra prestada a Deus através de todas as atitudes do discípulo. Essa estrutura garante que a missão da apologética pode ser cumprida, mesmo que não haja persuasão ou convencimento da contraparte, ou mesmo que a retórica do cristão deixe a desejar. Tal percepção é importante para manter a humildade do servo e a glória do seu senhor bem estabelecidas no exercício de defesa da fé.

Conclusão

O resgate da glória de Deus para o centro da tarefa apologética é uma urgência para as igrejas brasileiras. Tendo em vista que essa disciplina é a que mais requer um contato com o ambiente externo, muitos incorrem no erro de exercê-la como um fim em si mesma. Dessa forma, a igreja se encontra susceptível a perverter a sua verdadeira missão no sentido da defesa da fé. 

Por isso, é raro encontrar cristãos que se parecem com os servos fiéis descritos no texto de 1 Pedro. O que se observa hoje, na maioria dos casos, são crentes que procuram atritos na internet, intelectuais que argumentam com arrogância, apologetas que não possuem misericórdia para com o perdido. Esse cenário pode até mesmo favorecer a vitória no argumento, mas certamente não glorifica a Deus da maneira que Ele requer.

Portanto, entender o verdadeiro papel da disciplina apologética não é uma preocupação secundária, mas está alicerçado no centro do testemunho cristão acerca da missão. Assim como todas as ações do povo de Deus, a apologética deve ser para a glória de Deus.


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Referências Bibliográficas

FRAME, John. Apologética para a glória de Deus: uma introdução. Tradução: Wadislau Gomes. 1. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. 224 p.

SPROUL, Robert Charles. Defendendo sua fé: Uma introdução à apologética. Tradução: Patrícia Merlim. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. 192 p.

SPROUL, Robert Charles. O objetivo mais valioso da apologética. In: The Gospel Coalition, INC. Coalizão pelo evangelho. São Paulo, 15 jun. 2020. Disponível em: https://coalizaopeloevangelho.org/article/o-objetivo-mais-valioso-da-apologetica/. Acesso em 29 mai. 2022.