Pregação Cristocêntrica

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Resenha escrita por Cleiton Silva Oliveira, estudante do Programa de Tutoria – Turma Essencial 2020

Bryan Chapell é pastor presbiteriano na Grace Presbyterian Church em Peoria, Illinois. Desenvolveu esta obra sobre a pregação em seus vários contextos. Para tanto, dentre os diversos métodos de pregação, adotou neste livro o da pregação expositiva, que é amplamente utilizada nas igrejas reformadas. Apresenta de forma didática e sistemática, qual a função do pregador ao examinar as Escrituras para expô-la de forma fiel e que ouvintes compreendam as verdades bíblicas.

Autoridade e redenção, palavras-chave deste livro que trata sobre pregação. Em resumo, há dois caminhos antagônicos à pregação do evangelho: 1º Autoridade deturpada.  Subjetivismo e ceticismo andam juntos contra a verdade infalível das Escrituras. 2º No intuito de contextualizar a situação moral, os pregadores acabam focalizando apenas um aspecto, mais auto evidente. E isso não vai mudar, em essência, pois todos nós somos manchados pelo pecado, mostrando a ineficiência dos esforços morais para obter aprovação divina (p.10).

A pregação expositiva é uma alternativa eficaz, já que o pressuposto básico é a centralidade e autoridade da Escritura, e não do homem (p. 9). Ela apresenta o poder da Palavra. O foco do pregador é apresentar de maneira clara, sistemática e contextual as verdades bíblicas reveladas (p. 22). O sermão do pregador deve se preocupar apenas com uma única coisa, que é a ideia maior do texto, ou seu tema. Se as partes do sermão não se concatenam com uma ideia principal clara, a dispersão dos ouvintes será inevitável durante a exposição (p. 38-39). Por isso é imprescindível que o pregador entenda quais os motivos que levaram o autor bíblico a escrever aquele texto e qual o propósito do Espírito Santo com isso (p. 43). Para tanto, usa-se o FCD (Foco da Condição Decaída) para relacionar aquele motivo-base daquela época e povo aos dias atuais, fazendo suas devidas contextualizações (p. 46). É uma exortação clara aplicar a doutrina à vida cotidiana. Extrair lições do texto para a nossa realidade, sob o aspecto da obra redentiva de Cristo, o centro de exortação do sermão (p. 48).

O objetivo da pregação expositiva não é apenas trazer informações sobre o que a Escritura diz, mas, acima de tudo, exortar o povo a obedecer à Palavra de Deus, aplicando suas verdades à vida prática (p.84). Vemos que, no Antigo Testamento, o padrão da exposição da Escritura envolvia a leitura, explicação clara aos ouvintes e a exortação (aplicação ao povo sobre o que deveriam fazer) (p. 85-87).

No Novo Testamento este padrão se repete tanto nos evangelhos quanto nas narrativas paulinas. E tais referências que criam um padrão, são suficientes para avaliarmos a exposição dos atuais pregadores, se estão de acordo ou não. Nota-se que o próprio Cristo, ao subir aos céus, deixou essa missão aos pregadores, quando diz: “ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações (…) ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (p. 88). Agora, como fazer isso na prática, hoje, aplicada a diferentes contextos culturais?

Para o autor, quanto mais se pregar, mais ficará evidente que os elementos da pregação expositiva são interdependentes e não podem ser dissociados numa explicação técnica. Por vezes a ilustração será mais entendível ao povo, em outros momentos, a explicação através do Foco da Condição Decaída (FCD) fará uma aplicação melhor. O importante é que as verdades bíblicas cheguem ao coração do povo (p.91).

No que diz respeito à exegese do texto, o cuidado que o pregador deve ter é com a compreensibilidade que os ouvintes terão da sua exposição. Os ouvintes querem saber o sentido do texto, mas não o “como” se chega até ele. Ou seja, as técnicas utilizadas para eles não são relevantes e expô-las torna a mensagem enfadonha. O pregador deve guardar para si esta parte (p. 131).

Quanto mais simples e compreensível aos ouvintes a pregação, mais ela se conectará com as verdades bíblicas. Trazer reflexões profundas de maneira simples à congregação é uma marca dos pregadores que fizeram bom uso das ferramentas hermenêuticas e homiléticas (p.133).

A forma expositiva de apresentar as Escrituras assume o compromisso de explanar o que determinado texto diz. Dessa maneira, o pregador deve, sob o tema textual, explicar os pontos principais e secundários e o significado deles hoje. Essa forma de pregação tem ganhado força nos últimos cento e cinquenta anos, em resposta ao ceticismo crescente, principalmente dos que colocam em dúvida a autoridade bíblica. E os benefícios são grandes, pois, além de estimular os leigos a também estudarem e confirmarem o que na Escritura diz, força os pregadores a serem fiéis ao que Deus disse e espera de nós e não o que convicções pessoais acha que deve ser (p.138-139).

Na pregação expositiva é importante haver ilustração, pois além de estimular o interesse, facilita a compreensão do texto. Entretanto, deve-se tomar cuidado para que este não seja o elemento principal da pregação, produzindo mais entretenimento que aplicações bíblicas (p.181).

O que distingue um sermão expositivo é sua centralidade no aspecto redentivo da obra de Cristo. E a função do pregador é, em qualquer exposição, apresentar no seu contexto a sua relação com a obra redentiva (p. 289-290).

O questionamento que poderia ser feito é que nem todos os textos da Escritura falam explicitamente sobre Cristo. Daí a importância de entender o contexto e encontrar onde a obra redentiva está. Para isso Chappell, didaticamente, atribui essa relação em algumas categorias: profética – passagem que revelam sobre a obra de Cristo; preparatória – a obra do Antigo Testamento e suas narrativas culmina e aponta para Cristo; reflexivo – quando não tem referências diretas, devemos perguntar ao texto o que ele nos fala da natureza de Deus e o ministério de Cristo ou sobre a condição humana que necessita do ministério de Cristo; resultante – toda verdade, boa obra e condição salvífica é fruto da obra de cristo. É Nele que somos justificados e recebemos a graça (p.298-302).

O livro é imprescindível a quem deseja se aprofundar no ministério de pregação. É profundo, analítico e apresenta diversas ferramentas que auxiliarão o pregador a preparar um sermão que glorifique a Deus da forma correta, ou seja, apresentando Sua mensagem fiel às Escrituras e aplicada à vida dos ouvintes. É um livro que deve sempre ser consultado ao preparar sermões, pois é riquíssimo em detalhes que não podem ser ignorados. Tem uma parte mais técnica e apresenta regras importantes de mensagens aplicadas a diversas situações.

Se há algo que ficou evidente em todo o livro é a preocupação do autor em sempre remeter toda a mensagem do sermão a obra de Cristo e sua suficiência em nossa vida. Extrair de toda mensagem a centralidade em Cristo, constitui o desafio do pregador. Focar no que o texto e contexto nos ensina sobre Deus é nosso trabalho de estudo diligente.
Dessa forma, recomendo este livro como importante obra sobre pregação.

“A glória da pregação pode ser a eloquência, mas a batida do coração é a fidelidade”. Bryan Chapell.


REFERÊNCIAS

CHAPELL, Bryan. Pregação Cristocêntrica. Tradução de Oadi Salum. – São Paulo: Cultura Cristã, 3ªed., 2016. 416 p.

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