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Resenha: Entendes o que lês?

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Resenha escrita por Rebeca de Queiroz Batista, estudante do Programa de Tutoria Essencial 2022


FEE, G. D.; STUART, D. Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com auxílio da exegese e da hermenêutica. Tradução: Gordon Chown e Jonas Madureira. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2011. 335 p.


O livro Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com auxílio da exegese e da hermenêutica, escrito pelos professores Gordon D. Fee e Douglas Stuart, foi publicado originalmente em inglês (How to Read the Bible for All Its Worth) no ano de 1981. A versão em português é de 1984 (Editora Vida Nova) e está em sua 3.ª edição, revisada e ampliada em 2011. O livro, que visa ajudar aqueles que desejam entender melhor as Escrituras, aborda a importância de conhecer os gêneros literários que compõem a Bíblia Sagrada, além de apresentar metodologias que devem ser usadas para um estudo otimizado de cada um desses gêneros. A obra é composta por treze capítulos e um apêndice contendo recomendações para a escolha de um comentário bíblico, além de sugestões de obras publicadas.

Gordon Fee, responsável pela introdução, inicia destacando a necessidade de se interpretar — bem — a Bíblia, dizendo que, muitas vezes, a dificuldade em encontrar o significado claro do texto está em dois fatores: a natureza do autor e a natureza da Escritura. Ele pontua que o leitor é, em simultâneo, leitor e intérprete do que lê e que a Escritura exige uma interpretação especial por ser tanto divina como humana. Nesse ponto, Fee insere o argumento de que, para uma boa hermenêutica bíblica, não basta apenas usar regras gerais de interpretação, mas também regras específicas que se aplicam a cada gênero literário presente no texto sagrado. O autor finaliza introduzindo os conceitos básicos de exegese e hermenêutica.

No segundo capítulo, novidade nesta versão traduzida, Gordon Fee aborda a importância de usar várias traduções bíblicas, visto que a tradução por si só já é uma forma de interpretação. Ele expõe, por vários exemplos, a teoria da tradução e o que isso implica na hora de escolhermos uma versão das Escrituras. O capítulo conclui com algumas orientações dos autores para a boa escolha de uma tradução da Bíblia.

A partir deste ponto, os autores abordam os gêneros textuais encontrados na Bíblia, apresentando-os conforme as dificuldades exegéticas e hermenêuticas do gênero, em ordem crescente. Os capítulos três e quatro, portanto, tratam a respeito das epístolas. O primeiro apresenta a natureza delas, seguido de diretrizes para a exegese das mesmas, por meio da reconstrução dos contextos histórico e literário (tomando como exemplo I Coríntios). Gordon Fee dá continuidade, na seção quatro, delimitando a hermenêutica do senso comum e apresentando duas diretrizes necessárias para uma interpretação mais substancial das epístolas. O restante do capítulo foca em problemas que existem na interpretação e como esses casos devem ser tratados.

O quinto capítulo, escrito por Douglas Stuart, trata das narrativas do Antigo Testamento. Seu objetivo é que os leitores entendam como a narrativa hebraica funciona, de modo a conseguirem compreender o propósito delas. Ele propõe que existem três níveis que devem ser observados ao estudar as narrativas: superior (plano universal de Deus), intermediário (história do povo de Deus) e inferior ou primeiro (narrativas individuais).

Fee, nos capítulos seis e sete, continua abordando as narrativas de Atos e dos Evangelhos, respectivamente. No primeiro, o autor argumenta que a necessidade de uma seção à parte está no fato de que muitas pessoas não leem o livro de Atos da mesma forma que leem uma narrativa do Antigo Testamento, mas sim buscando precedentes bíblicos para a vida cristã atual. Quanto aos Evangelhos, o autor ressalta as dificuldades hermenêuticas com relação ao termo “Reino de Deus” e ao fato de que os Evangelhos não são escritos por Jesus, mas sim acerca de Jesus. Assim, além de abordar a importância de realizar a exegese pensando no contexto histórico, tanto de Jesus quanto dos evangelistas, Fee destaca também a importância de estudar as perícopes individuais horizontalmente (considerando os paralelos nos demais Evangelhos) e vertical (considerando os contextos históricos). Por fim, o capítulo encerra trazendo uma breve explicação acerca do termo “Reino de Deus” e suas implicações para a hermenêutica dos Evangelhos.

As parábolas recebem um capítulo especial, segundo Gordon Fee, pelo fato de terem sofrido muitas interpretações errôneas ao longo dos anos. Assim, o autor apresenta as diferentes categorias de parábolas e a função que elas exerciam na época, seguido de algumas sugestões de como realizar a exegese das mesmas, propondo que o leitor encontre os pontos de referência e identifique o público alvo da ocasião. O autor dá um destaque especial ao que ele chama “parábolas do Reino”, finalizando com duas sugestões de como realizar a hermenêutica das parábolas.

Os capítulos de 9 a 12, que tratam sobre gêneros, principalmente do Antigo Testamento, ficaram sob a responsabilidade de Douglas Stuart. Ele inicia a primeira seção falando a respeito do importante papel que as Leis tinham para o recém-liberto povo de Israel. Traz pontos a serem observados a respeito da exegese do texto e diretrizes hermenêuticas para uma melhor compreensão do Pentateuco. O capítulo seguinte trata das profecias e como elas devem ser encaradas no texto bíblico. O autor elucida pontos relacionados às profecias e aos profetas e frisa a importância de bons recursos externos para a compreensão desse gênero.

No capítulo onze, Stuart aborda os Salmos e sua principal questão hermenêutica, que está em entender como as palavras direcionadas a Deus funcionam como uma Palavra da parte de Deus para os cristãos atuais. O autor ressalta a importância de entender o gênero em questão, a poesia, e como ela era utilizada no Israel antigo. Em sua última redação na obra, Stuart trata dos livros de Sabedoria. O autor apresenta detalhadamente como a sabedoria é abordada em cada um dos livros poéticos.

O último capítulo, de responsabilidade de Gordon Fee, trata de Apocalipse, que compreende a junção de três gêneros literários: a apocalíptica, a carta e a profecia. Por apocalipse, como gênero, não existir mais em nossos dias, o autor busca esclarecer o que era uma literatura apocalíptica, além de reforçar a importância da exegese no livro de Apocalipse.

Facilidade de compreensão e praticidade de conteúdo são duas das características que podem ser usadas para descrever essa obra tão relevante. Não apenas para pastores e estudiosos da Bíblia, mas para todo cristão que tem o desejo de compreender a Palavra de Deus de forma responsável. A maneira como os autores abordam os temas tornam o livro claro, mas também profundo, ao mostrar a preocupação que os mesmos possuem com a integridade da Palavra e com a assimilação correta dos conceitos apresentados na obra. Entendes o que lês? é um livro não apenas para ser lido, mas para ser consultado sempre que necessário.