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Resenha: Proslógio

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Escrita por Douglas Bolkenhagen, estudante do Programa de Tutoria Filosófica 2022


ANSELMO DE CANTUÁRIA, Santo. Proslógio. Tradução: Sérgio de Carvalho Pachá. Porto Alegre, RS: Concreta, 2016. 124 p.


O livro Proslógio foi escrito pelo filósofo, teólogo e arcebispo de Cantuária Santo Anselmo, um dos mais importantes teólogos do século XI. A presente edição é bilíngue e, portanto, contém tanto o texto em latim como a tradução para o português realizada por Sérgio de Carvalho Pachá. Composta pela editora Concreta, a edição possui 124 páginas divididas em 26 capítulos.

A obra em análise se inicia com uma apresentação do autor original, Anselmo, feita por um dos colaboradores da edição, e tem por objetivo situar o leitor em relação à vida do mesmo, seus principais argumentos, pressuposições, principais fontes e influências, bem como suas contribuições para a história do pensamento.

Adentrando a obra propriamente dita, o autor inicia seu trabalho com um prólogo, cujo objetivo é apresentar uma justificativa das razões pelas quais decidiu compor a obra. Anselmo deixa claro o seu objetivo logo nas primeiras páginas, quando afirma que busca encontrar um argumento forte o suficiente que bastasse para comprovar a existência de Deus. 

Logo no primeiro capítulo, o autor introduz uma súplica a Deus. Reconhece a necessidade que precisa de uma ação divina para poder conhecê-lo, reconhece que a sua pequenez não pode ser comparada com a grandeza do ser que deseja conhecer. A obra avança e, visando refutar o insensato de Salmos, que afirma em seu coração não haver Deus, Anselmo inicia o principal argumento da sua vida, o argumento ontológico sobre a existência de Deus. O autor busca mostrar que Deus não pode existir somente na inteligência, mas também na realidade. 

A respeito do insensato, Anselmo argumenta que mesmo que ele negue a existência de Deus, deve admitir que se ele entende o conceito de Deus apresentado, ele existe em sua mente, pois tudo o que é entendido está na mente. É também nos primeiros capítulos que o autor apresenta a famosa ilustração do pintor, que mesmo antes de iniciar a sua pintura tem em sua mente aquilo que deseja pintar, e tal ilustração corrobora com o seu argumento ontológico.

A partir do sexto capítulo da obra, o autor começa a discorrer sobre esse Deus que existe e pode ser conhecido. Anselmo descreve os atributos de Deus, tais como: sua onipotência, sua misericórdia, sua impassibilidade, sua justiça, etc. Quando o autor se depara com a sua bondade e justiça, se propõe, a partir do capítulo nove, a lidar com a perfeita capacidade de Deus de equilibrar seus dois atributos. Deus é capaz de ser sempre justo e sempre bom simultaneamente. Sua bondade não diminui sua justiça e sua justiça não diminui sua bondade.

Após lidar novamente com mais alguns atributos de Deus, Anselmo encerra sua obra dissertando a respeito da Trindade. Ele conclui afirmando que o que é dito de um é verdade para toda a Trindade. No capítulo final, o autor volta a suplicar a Deus para que Ele o ajude a conhecê-lo e amá-lo. O autor reconhece que todo nosso conhecimento de Deus será apenas parcial enquanto estivermos neste mundo e que o conheceremos e o amaremos plenamente apenas na eternidade.

A obra contempla também uma objeção ao argumento de Anselmo, feita pelo monge beneditino Gaunilo, bem como uma contra argumentação feita por Anselmo ao seu crítico. O ponto de atenção aos que desejam se debruçar sobre a obra é que o autor pouco se utiliza das Escrituras para a construção de seus argumentos. O ponto positivo é que embora a obra seja densa, o autor consegue deixar muito claro seus argumentos e ideias utilizando-se de recursos literários como ilustrações e metáforas. Em suma, a obra precisa ser lida por todos os amantes de filosofia e teologia. Sem dúvida, o autor nos auxilia na argumentação sobre a existência de Deus e sobre quem ele é.